sábado, 6 de setembro de 2014

Tomando meu remédio 11 - A quarta semana




Estou fechando a quarta semana de compromisso comigo mesma de caminhar e escrever. Quem está acompanhando esta série de crônicas chamada “Tomando meu remédio”, sabe do que estou falando. Para quem não sabe, terei prazer em explicar. O fato é que por uma questão de saúde fui obrigada a mudar de atitude e  iniciar o hábito de caminhar ao sol. Isso devido a alta de glicose e baixa de vitamina D no meu corpo. Querendo dar um sentido a mais a essa atividade iniciei o registro de fatos interessantes observados no período das minhas caminhadas.

Tenho de admitir os vários benefícios experimentados nessas quatro semanas:
Pude ver coisas lindas como um velhinho regando um canteiro de flores em uma  esquina e uma jovem mãe ensinando a filhinha a atravessar a rua. Achei sua  lição um tanto dura, quando a ouvi perguntar pra filha:
-- você quer morrer esmagada por um carro?
E como a menina,  calada olhava assustada pra a mãe, a mesma repetiu:
-- me responda! Você quer?
A criança, com cara de choro respondeu:
--Nãooooo.
E nesse momento a mãe toda orgulhosa deu a lição final:
-- Então só atravesse a rua quando o bonequinho estiver verde.

Vi um idoso de 77 anos dar entrevista a um grupo  de estudantes no Parque Municipal, e depois pude acompanhá-lo na leitura de seu livro grosso e antigo, todos dias no mesmo banco, fazendo suas anotações com uma caneta azul nas bordas do mesmo. Pude conjecturar quanta sabedoria escondida naquela cabeça e oque acontecerá com aquele livro quando  o velhinho se for. Muitos familiares doam bibliotecas inteiras de velhinhos sabidos sem sequer folhear seus livros e ler suas anotações. Espero que isso não aconteça com os seus livros.
Vi mendigos cuidando dos seus cachorros com muito carinho. Vi moças, rapazes, homens e mulheres passeando com seus cães e esperando pacientemente que marcassem o território com suas mijadinhas em cada poste.

Também pude apreciar os cheiros da cidade. No parque pude sentir o cheiro de suas flores,  de sua grama molhada, das águas do lago dos barcos e nas ruas pude sentir o cheiro  de tempero vindo das cozinhas das casas.

Mas também vi coisas não tão  lindas e senti cheiros não tão bons. Vi um grupo de mendigos com seus rostos inchados  deitados na calçada da rua da Bahia e senti o cheiro de aguardente vindo de suas garrafas. Senti o cheiro fétido de urina humana nas pilastras dos viadutos. Vi jovens encostados em muros, fumando, e senti o cheiro de seus baseados.

Foram quatro semanas de aprendizado, de novas experiências de vida pulsando dentro e fora de mim. Além de tudo isso,  pude sentir meu corpo mais leve e mais fino, podendo com alegria resgatar novamente para o armário, peças de roupas, que por estarem apertadas foram guardadas e que por muito amá-las  não tive  coragem de coloca-las nas sacolas de doações.


Por todos esses fatos vistos e esses cheiros sentidos, celebro com alegria o fechamento das primeiras quatro semanas da minha nova experiência em viver melhor.

Um comentário:

  1. Continue tomando o seu remédio, está fazendo muito bem pra mim.

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