quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Tomando meu remédio 10 - Vai uma balinha aí?


Geralmente quem nasce e cresce em  Minas Gerais pega o costume de usar as palavras no diminutivo, e ainda omitindo letras no final. Assim temos a mania de nos referir a algo que seja pouco, de pouquim, que seja pequeno, de pequeninim e assim vai.

Pois bem, estava eu em fim de caminhada, aquela que estou aprendendo a fazer todos os dias por recomendações médicas. Passava pelo calçadão da Sapucaí, que não é a Marquês de Sapucaí do Rio,  mas a Sapucaí de Belo Horizonte. Bem perto da escada que desce para a estação Central Ferroviária estava uma mulher com uma caixinha de bala halls. Ao me avistar pegou um dos pacotinhos, o preto, o mais forte, me perguntando:
-- Vai uma balinha aí querida?
--Obrigada! Hoje não. – Doida pra comer uma bala apesar da glicose alterada.
Parecendo ler meu desejo pelo olhar a moça insistiu:
--É só um realzim minha boneca!

Continuei a caminhada um pouco mais feliz, rindo sozinha pela calçada.
Um real é sempre um real. Não existe um real menor ou maior do que outro. Mas o mineiro tem que diminuir o "um real". Como também diminui o minuto. E cá prá nós, quando alguém diminui os minutos pode esperar que na realidade serão aumentados. Outro dia levei um serviço na gráfica e a atendente após examinar o material me disse:
-- fica pronto em 20 minutinhos.
Sabendo que vinte minutinhos de mineiro se esticam em mais trinta, saí para dar uma volta. Retornei à gráfica em 40 minutos e o serviço ainda não estava pronto.

Para quem não é mineiro fique atento com os minutinhos. Pois eles nos fazem esperar muito.



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