quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Tomando meu remédio - 2 - Susto na foto


Praça da Estação - BHMG

Minhas últimas noites têm sido povoadas de sonhos ruins, mais para pesadelos. Acho que fruto da vivência de tristezas, guerras, tragédias e violência que, mesmo longe fisicamente, estão mais próximas do que imaginamos.
Mas como não vale a pena descrever minuciosamente meu último sonho, mesmo sendo ele interessante na sua estrutura, vou falar de uma experiência vivida em uma de minhas caminhadas pelas ruas e praças de Belo Horizonte.

Para ser sincera, como gosto de ser, tenho medo de ser assaltada na rua. Então saio com o mínimo possível de acessórios que chamem atenção daqueles que acalentam a filosofia do “que é seu é meu”. Daqueles que não podem ver algo com alguém que logo querem pra si, e para isso tomam da pessoa.

Sair de relógio, nem pensar! Desde o dia em que, num reflexo inacreditável, dei um soco no pé do ouvido do assaltante e ele rodou de tonteira. Nunca mais usei relógio! É claro que o assaltante era um adolescente! Daqueles que saíam em bando pelas ruas do centro de BH fazendo terrorismo com os transeuntes. Pois é, dei de cara com um... Estava usando o relógio  no braço direito. Quando fui consertar a bolsa que estava no ombro esquerdo, o danado voou no meu braço enfiando os dedos entre ele e a pulseira do relógio. Como o meu braço estava junto ao peito, foi só fechar a mão e derriçá-la na cara do sujeito. Meu Deus! Que vergonha! Bom, fazer o quê? Pedir desculpa pro carinha? O certo é que  minha cara queimou. Um rapaz que estava também no ponto de ônibus olhou assustado, dizendo:

__ Nossa moça você é brava!

Tive outras aventuras parecidas. Uma dentro da minha própria casa quando fiquei cara a cara com o ladrão que levou meu notebook que,  ainda nem tinha acabado de pagar.

Deixando de lenga lenga e indo direto ao assunto, estava eu caminhando, quando cheguei à Praça da Estação . O celular no silencioso, escondido no bolso da blusa. Quando de repente meus olhos caíram sobre as flores de uma árvore bem no centro da praça. Olhei de um lado e outro, parecendo uma policial, verificando se havia por perto alguém suspeito. Achei que não. Meti a mão no bolso e com a rapidez que pude, liguei o bichinho, direcionando-o para a árvore  a fim de dar o clik e escondê-lo novamente. 
Exatamente nesse momento ouvi atrás de mim uma voz dizendo:

__ ô moça!

O susto foi tamanho que dei um grito! O cara se assustou também e eu ri meu riso amarelo pro seu lado pedindo desculpa. Foi então que, me pediu dinheiro. Enquanto  ouvia sua história de que morava na rua e precisava comprar um pão pro seu café da manhã, e que não era ladrão, fui observando aquela figura exótica à minha frente.
Estava ele limpo vestido de calça Jeans, camisa floral amarrada com um nó à frente exibindo sua enorme barriga. As unhas pintadas na cor rosa, no pescoço um colar de metal bem trabalhado, os cabelos presos em um coque daqueles usados pelas mães de antigamente na fase dos 60 anos. Seu rosto estava rosado pelo calor do sol lindo e brilhante.

O cara acreditou que eu não tinha dinheiro. Acho que é porque estava com roupa de caminhar. Me falou coisas bonitas, me desejou um bom dia, boa sorte e “vai com Deus”.

Continuei a caminhada com a cabeça repleta de pensamentos esquisitos. Não antes, de olhar pra trás para vê-lo uma última vez.

Como gostaria de ter fotografado o cara! 

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