segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Relembranças 2 - Essas mulheres maravilhosas e seus PEITOS ENORMES



Quando em crescimento e aonde cresci as mulheres mães de bebês amamentavam-nos em público, sem sequer jogar uma toalhinha ou fralda sobre seu peito. Aquele era um momento sublime, quase um ritual, quando enfiavam a mão sob o decote, deslizando-a sobre o peito e ao chegar na parte inferior do mesmo o levantava. E com a ajuda da outra mão que puxava a roupa, colocava a mostra aquele peito recheado de leite.  Nas igrejas durante as missas ou cultos podia-se ver o desfile de mães orando, cantado e amamentando... Eram  Peitos marrons, pretos e brancos. Os que  eram brancos ficavam até rosados, exibindo veias entrelaçadas no seu contorno arredondado daquilo que era uma maravilha pra mãe e pra filho.

O ato da amamentação no peito era comum e natural. As meninas brincavam de casinha e em suas casinhas serviam umas as outras, café, comida e também imitavam as mulheres mães amamentadoras, colocando ao peito ainda não desenvolvido, futuro armazenamento de leite, suas bonecas, de pano, de sabugo de milho, de porcelana, de papelão.

Os peitos de uma mulher amamentadora eram vistos de uma forma diferente. Eram envolvidos em um simbolismo e um significado, que  pouco a pouco foi sendo modificado. E um dia, quando eu já não estava mais lá, soube de um fato ocorrido em uma das igrejas da cidade. Uma religiosa saída de Salvador ao chegar à cidade, em um dos cultos de sua igreja  teve a infeliz iniciativa de se levantar de seu lugar caminhar entre os bancos e colocar um lenço sobre o peito de uma jovem mãe que amamentava seu bebê. O triste é que  ela nunca mais voltou a igreja. O mais triste é que a comunidade não se pronunciou e o puritanismo farisaico (se é que existe isso) venceu.
O tempo passou e me tornei mãe. Experimentei o que existe de mais emocionante no mundo: tirar o peito, lindo redondo e enorme; expô-lo ao mundo e coloca-lo na boca do bebê... Pouco a pouco sentir o leite correr pelos canais e explodir, às vezes com tanta força que a cara do bichinho ficava toda molhada. Nesse momento a boca secava e eu precisava desesperadamente de um copo d’água. Somado a  esse prazer estava o fato de ver dia a dia a criança se desenvolvendo com o alimento saído do meu corpo. Era um mistério e um milagre.

Muitos homens e mulheres viram meus peitos e nunca me preocupei se estava por perto algum “tarado”. Porque amamentar em público, mostrando o peito, era algo cultural pra mim. Parece que o contrário acontece nas capitais, pois nunca vi na capital onde fui mãe e até hoje moro, uma mulher tirar o peito e amamentar em publico. Mas já vi muitas saírem com o bebê aos gritos e se esconderem em alguma sala para amamentar. As mais ousadas tiram o peito por baixo da blusa e não pelo decote. Para mamar, o bichinho tem que aguentar uma roupa incomodando seu rosto o tempo todo.

Como mulher e como mãe  acho que mães e bebês devem ter a liberdade de exibirem seus peitos: elas porque são a fonte do melhor alimento do mundo. Eles por tê-los como sua propriedade, nesse período de suas vidas e pelo privilégio de terem nascido de uma mãe saudável física e emocionalmente.

2 comentários:

  1. Muito bonito. É mesmo lamentável que um ato tão sublime seja hoje , feito "às escondidas", como se crime fosse.

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