sexta-feira, 18 de abril de 2014

E POR FALAR EM OVOS DE PÁSCOA Uma homenagem a Sueli Silva




É incrível como certos acontecimentos que nos marcam tanto em determinadas épocas de  nossas vidas, demoram  para voltar à superfície de nossas lembranças! É claro que voltam vez ou outra, mas, apenas em relances  vagos de pensamentos descompromissados com qualquer atitude mais objetiva. Falo da demora de uma volta impulsionada pela força da gratidão. Aquela, carregada de um sentido prático, corajoso o suficiente, para em se, despindo de qualquer acanhamento,  externar em palavras o agradecimento àquele que nos marcou.

O bom mesmo é quando a volta se dá  num tempo em que, ainda é possível se ter essa atitude corajosa em relação ao outro que nos foi tão importante. Aquele outro que passou a fazer parte de nossa história, que ocupa nela o lugar mais rico, mais bem protegido e sublime da nossa subjetividade.

O fato em questão aconteceu pelos idos do início da década de 1970.  Foi no  período da  Páscoa. O assunto em sala de aula girava em torno de ovos. Assunto esse trazido,  não pela  professora, mas pelos alunos. Sueli Silva, a  Lili, filha caçula da D. Cecília, trouxe como merenda, chocolates em forma de ovos embrulhados em papéis coloridos... uma coisa maravilhosa de se ver e deliciosa de se provar. 

Eu, menina recém-chegada da roça, lugar desprovido de lojas, pertencia a uma  família em que  guloseimas como chocolate, não fazia parte das comemorações da Pascoa. Não conhecendo tal maravilha, fiquei simplesmente encantada com o colorido e doçura dos ovos.
_ Você nunca ganhou um ovo de chocolate na páscoa? __  pergunta-me  Lili com admiração  e a franqueza comum das crianças.
_Não! _ respondi meio envergonhada.

O feriado passou. A segunda-feira chegou. E então aparece Lili em frente a carteira em que eu estava sentada, estendendo em minha direção as mãos cheias de pequenos ovos de chocolate. Era a alegria materializada e embrulhada em  papéis  de várias cores. E foi assim que ganhei os meus primeiros ovos de páscoa.

A volta da lembrança objetiva e corajosa se deu em 18 de abril de 2014. 

A você Lili minhas palavras de gratidão.


Senhorinha