segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pr. Diné René Lóta: Apoio integralmente o Pr. Piragine -


"Eu era ainda um “guri” com pouco mais de 10 anos de idade, quando numa manhã bem cedo, quando estava na padaria comprando o pão de cada dia para o nosso café, vi chegarem dois carros do exército na casa do Prof. Aroldo. Um dos carros trazia uma enorme metralhadora. Vi quando os militares levaram o professor do Senai nos veículos militares. Ele nunca mais foi encontrado. Poucos dias depois, papai foi preso e ficou 48 horas incomunicável numa prisão militar em Niterói. Mamãe estava recentemente operada em casa esperando papai chegar com os remédios que fora comprar. Nós (5 filhos e um sobrinho) ficamos com muito medo do que poderia ter acontecido com papai. Só descobrimos o seu paradeiro quando ele chegou em casa são e salvo, por providência de Deus.

Meu pai era o Presidente do Sindicato dos Ferroviários do Estado do Rio de Janeiro. Foi preso pelo regime militar só por causa disto. O comandante da fortaleza onde meu pai ficou preso, por misericórdia de Deus, tinha sido colega de tropa do meu pai e reconheceu o seu nome. Depois de uma breve entrevista, aquele comandante deliberou soltar papai.

Minha família é uma das vítimas da ditadura militar que cometeu barbaridades no Brasil durante os chamados “anos de chumbo”.

Durante aquele período a liderança da Convenção Batista Brasileira não teve coragem de assumir uma postura corajosa de denunciar os crimes políticos e militares cometidos pelo regime. Ao contrário, havia um silêncio de tácita aprovação.

Cresci com um forte pendor democrático. Esta é uma das razões porque eu sou Batista. Creio firmemente na democracia e nos princípios batistas de liberdade de consciência e separação entre igreja e estado. Posso não concordar com o que o outro diz, mas morrerei defendendo a sua liberdade de dizer o que pensa.

Tenho observado ao longo dos anos o silêncio dos líderes batistas, das organizações batistas de representação (OPBB, AMBB, UFMBB, UHBB, JUMOC, etc.) acerca das atrocidades sociais e políticas dos mais diferentes governos do Brasil (em todas as instâncias). A chamada “política denominacional” já consome bastante as nossas energias, de forma que não há tempo para pensarmos e decidirmos o que fazer e o que dizer dos grandes problemas nacionais que afligem a sociedade, e, por conseguinte, as nossas igrejas. Quando alguém se levanta com coragem para dizer algo nesse sentido, muitos se levantam para criticar.

Creio que estamos fazendo uma grande confusão. O princípio tão caro aos Batistas – da separação entre igreja e estado – não pode ser invocado no debate da política partidária. O PT (ou o PSDB) não é o Estado, mas apenas um Partido Político (entre tantos outros). O dia em que um partido se tornar “O Estado”, estaremos todos perdidos (é isso o que alguns partidos pretendem fazer, na tentativa do “aparelhamento do Estado”). Fazer críticas a um Partido político não é quebrar o princípio de separação entre Igreja e Estado.

Um Partido Político pode tomar decisões que contrariam a consciência de alguns dos seus militantes. Tenho sérias dúvidas que o irmão Walter Pinheiro (candidato ao Senado Federal pelo Estado da Bahia pelo PT) tenha alinhado com todas as decisões do seu partido em relação ao PNDH – 3. Tive o prazer de conhecer o irmão Walter pessoalmente e ouvir dos irmãos baianos excelentes referências ao seu caráter e conduta, enquanto cidadão e Deputado Federal. Portanto, é possível que haja algum exagero (por generalização) na fala do irmão Pr. Piragine. Mas que seu pronunciamento corajoso é digno de elogio, isso eu não tenho dúvida.

Apoio integralmente o Pr. Piragine em seu pronunciamento, fazendo concessão a algumas poucas excessões de parlamentares e candidatos do PT. Oro para que o Senhor tenha misericórdia de nós, batistas brasileiros, tornando-nos mais corajosos em nossos posicionamentos contra toda a sorte de iniquidade, institucionalizada ou não."

Diné René Lóta – pastor batista há 35 anos.
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