sábado, 28 de agosto de 2010

A Educação Religiosa Batista Brasileira e suas implicações Ministeriais

Nós batistas brasileiros usufruímos por um longo tempo, dos serviços da Junta de Educação Religiosa e Publicações- JUERP, que teve seu início com as poucas máquinas compradas para impressão do “Jornal Batista”, recebendo o nome de “Gráfica da Junta de Escolas Dominicais e Mocidade”, “Casa Publicadora Batista” e mais tarde JUERP. Dez anos mais tarde, em 1917 nascia o primeiro Seminário de Educação Cristã, para solução de uma questão importante: a não aceitação de mulheres no curso de Teologia. Em 1922 nascia outra instituição de educação religiosa, no Rio de Janeiro, o que hoje, recebe o nome de CIEM - Centro Integrado de Educação e Missões.

A educação religiosa batista brasileira, olhada teoricamente, estaria perfeita: uma Junta de publicações de materiais para as igrejas e duas escolas de educadores, fora os cursos de educação religiosa oferecidos pelos Seminários Teológicos Estaduais.

Mas esta é uma questão difícil de ser entendida, pois a mesma denominação que preparava educadores em suas escolas específicas e em Seminários Estaduais, oferecia às igrejas uma educação religiosa “pronta”, que aparentemente, descartava a necessidade desses educadores para sua coordenação nas igrejas. Uma educação conteudista, pois a JUERP, pensava a educação religiosa, montava o currículo produzia e distribuía as literaturas. Um currículo nacional único e distante do seu contexto e necessidades das igrejas. Todas as igrejas batistas de todos os cantos do Brasil recebiam um mesmo conteudo, bastando um mínimo de boa vontade de alguém para ler a lição da revista à frente dos alunos, que já haviam lido a mesma lição em suas casas.

Esse jeito de fazer educação resultou em algumas conseqüências:

1. Constituiu-se entre os batistas o imaginário de que Educação Religiosa resumia-se a “literatura, currículo e sala de aula” (p. 1 PDER) .
2. Enquanto a JUERP, pensava, produzia e distribuía literatura, os educadores ficavam “à ver navios”, diante de uma educação considerada e comprada “pronta”.
3. As igrejas ficaram dependentes do conteúdo oferecido pela JUERP como elemento organizador do seu processo educacional, mesmo que distante de suas necessidades contextuais.

Mas, um dia mais especificamente na Assembleia de 2006, após a desativação da JUERP, foi entregue à Comissão de Educação Religiosa do Conselho da CBB o desafio de repensar a Educação Religiosa brasileira (p. 1 PDER). Esta, para realização de seu trabalho, desenvolveu uma pesquisa quantitativa/qualitativa entre as igrejas e líderes, elaborando, a partir das respostas as diretrizes para o Plano Diretor da Educação Religiosa Batista. Em 2007 a estrutura da CBB foi alterada, o que resultou na criação do Comitê de Educação Religiosa que assumiu o desafio de elaborar o Plano Diretor para a Educação Religiosa, documento que apresenta diversas alterações no ato de fazer educação religiosa, partindo de objetivos educacionais gerais, que são iguais para todas as igrejas batistas de qualquer parte do Brasil, mas também de objetivos contextuais, considerando a realidade de cada igreja.

Esse novo jeito de fazer educação traz aos batistas brasileiros alguns desafios:

1. Desvencilhar de uma educação conteudista para aprender a fazer uma educação orientada por objetivos educacionais e contextuais, proposta pelo Plano Diretor da Educação Religiosa da Convenção Batista Brasileira.
2. Introduzir os educadores religiosos na coordenação das atividades educacionais das igrejas, atendendo ao PDER e especificamente à diretriz 7.8 que diz: “ que a CBB promova periodicamente o incentivo às igrejas para terem educadores religiosos para a coordenação das atividades educacionais da igreja local. Neste sentido, que a CBB recomende à Ordem de Pastores Batistas do Brasil inserir periodicamente essa ênfase em seus temas de discussão, inclusive que faça a mesma recomendação às suas seccionais.”
3. Conscientização das igrejas da Necessidade de elaborar seu projeto pedagógico considerando o perfil de seus membros e das pessoas do seu entorno.
4. O quarto desafio está direcionado aos educadores. Somos convocados à atualização e disposição para, depois de um longo tempo, exercermos o ministério para o qual fomos chamados, pois somos conclamados: ajudar na elaboração do projeto pedagógico, e coordenação da educação religiosa das igrejas batistas brasileiras.

O Plano PDER nos apresenta perspectivas para grandes mudanças educacionais para o crescimento daqueles que se convertem a Cristo através do trabalho missionário dos batistas.

A Convenção Batista Mineira disponibiliza as cópias dos documentos que compõem o Plano Diretor em seu site no endereço abaixo:
http://www.batistas-mg.org.br/portal.php?pg=estudos&id=66

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