segunda-feira, 12 de julho de 2010

A PRESENÇA DA MULHER NA HISTÓRIA DOS BATISTAS BRASILEIROS

A Bíblia diz que Deus criou os seres humanos à sua imagem e semelhança. Por criação estamos ligados a Ele e para a nossa própria felicidade fomos feitos para o relacionamento criaturas/Criador, filhos/Pai, em adoração de acordo com Isaias 43.7 “... que criei para a minha glória e que formei e fiz”. Como seres criados para adoração a Deus somos chamados, de forma geral, para um relacionamento de proximidade e descanso Mateus 11.28-30 “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”


Além de sermos todos chamados para um relacionamento, com Deus, Ele nos chama também para um relacionamento, com nossos semelhantes conforme Mateus 22.36-40, que fala do amor que devemos ter a Deus, a nós mesmos e ao próximo. Nesse relacionamento com o próximo, somos todos chamados a fazermos outros discípulos, que sejam genuinamente seguidores de Jesus. Mateus 28.19-20.

Mas a Bíblia nos apresenta ainda outro tipo de chamada, aquela que se destaca, que se difere da chamada no contexto geral de amor a Deus e ao próximo, base para todas as nossas ações de comprometimento com a expansão do reino de Deus na terra. Esta é apresentada em Romanos 12.6-8, I Coríntios 12.28-31 e Efésios 4.11-15 em que Paulo fala da chamada de Deus a pessoas para que sirvam, tendo em vista o aperfeiçoamento pela capacitação e edificação dos membros do corpo de Cristo, ou seja, da igreja. Essas pessoas além da chamada geral recebem uma chamada específica e para isso se preparam, para o exercício do seu ministério.

Neste contexto de chamada é que quero destacar a presença da mulher na história dos batistas brasileiros. Usarei o exemplo de duas mulheres do passado, como incentivo para as mulheres desta geração. A primeira delas é Ephigênia Maddox, missionária batista vinda da América do Norte, tendo como primeiro campo missionário o Rio de Janeiro e a partir de 1917 Belo Horizonte Minas Gerais, lugar em que devido à perseguição religiosa, D. Ephigênia que era professora, iniciou uma escola em sua própria casa e por ela trabalhou incansavelmente (MADDOX, Sara Gill pag. 18). Essa escola foi o início do que é hoje o Sistema Batista Mineiro de Educação fundado em 1º de março de 1918. http://www.sistemabatista.com.br/.

Coincidentemente, ou não, no mesmo ano, 1917, uma brasileira chamada Josefa da Silva procurava o Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil em busca do preparo como vocacionada ao ministério do ensino. Por ser mulher, Josefa não teve acesso ao curso de Teologia e por essa razão, foi criada uma escola para o preparo de educadoras, o SEC Seminário de Educadoras Cristãs, hoje Seminário de Educação Cristã, na cidade do Recife. Mais tarde, em 1922, foi criado o Instituto Batista de Educação Religiosa, IBER, hoje CIEM Centro Integrado de Educação e Missões.

Ao longo de todos esses anos, igrejas batistas dos vários estados brasileiros enviaram mulheres vocacionadas ao ministério para essas escolas e as receberam preparadas, sendo que nesse último estagio, não só as igrejas brasileiras, mas também os vários campos missionários sustentados pelos batistas do Brasil. Muitas delas, desempenharam e desempenham a coordenação da educação religiosa em suas igrejas como “esposa do pastor”, fato que prejudicou o entendimento e reconhecimento da educadora religiosa como ministra, ao mesmo tempo que, de certa forma, sobrecarregou a mulher casada com pastor com uma expectativa ministerial, que nem sempre está preparada.

O certo é que a mulher tem marcado presença na história batista brasileira. Se em 1917 o Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil estava fechado para as mulheres, hoje ele e outros estão abertos. Mais e mais mulheres, não só cursam Teologia, mas assumem o pastorado das igrejas. Já são 85, atuando oficialmente como pastoras nas igrejas batistas da Convenção Batista Brasileira, fora aquelas que fazem o trabalho pastoral oficiosamente, ou seja, sem receberem o título.

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