quinta-feira, 3 de junho de 2010

A Igreja e a Comunidade

Jesus, na oração sacerdotal, capítulo 17 do evangelho de João, dirige-se ao Pai em oração a favor dos seus discípulos, tanto os daquela época, como os de outras (v. 20) e demonstra sua preocupação com a vida dos seus discípulos no mundo. A igreja foi chamada para estar no mundo sem dele fazer parte (v.15) e, como sal e luz, precisa exercer influência vivendo sua fé de modo digno desta vocação.

Da teologia, aprendemos que a dimensão comunitária é essencial à vivência da Fé. Cada igreja está inserida num contexto comunitário e nele deve manifestar sua vocação, ampliando mais e mais seu raio de ação, de forma a tornar-se relevante nesta comunidade. A igreja primitiva conseguiu, de forma impactante, exercer sua missão e o resultado não foi outro senão a conversão de muitas pessoas a Cristo (At.2.42-47), pois o que era ouvido nas mensagens era observado na vida diária dos irmãos. Não há mensagem mais extraordinária do que esta: viver o que pregamos. A verdadeira fé se manifesta em nossas ações (Ef.2.8-10).

Desta forma, fazer parte do Corpo Vivo de Cristo – sua igreja – aqui na terra, é ingressar na nova etapa da história deste mundo, por meio de uma ação evangelizadora, afirmando-se contra toda tentativa de um cristianismo individualizado ou personalizado. Na verdade, o cristianismo, desde a sua origem ensina a inserção na comunidade. Jesus, nosso Salvador, morreu de braços abertos, significando sua intenção agregadora e disposição de acolhimento. Destacar este aspecto é uma das tarefas indispensáveis para quem hoje tem nas mãos a missão evangelizadora. E, cada um de nós, uma vez salvo pela graça misericordiosa de nosso Deus, enviado ao mundo a testemunhar deste amor (At.1.8).

Pensar em comunidade é falar de relacionamentos, onde a experiência do dia a dia, do convívio informal e fraterno, gera laços indispensáveis para o ser humano em geral e, mais ainda, para a experiência cristã. Assim, pensamos a comunidade, referindo à capacidade de gerar e manter relações interpessoais, de sentir-se irmão e irmã, com laços às vezes mais fortes que os laços de sangue. São necessariamente laços baseados em gratuidade, amizade, cumplicidade e partilha de vida. E a vida comunitária, tanto dentro da igreja como fora dela permite que isso ocorra de forma efetiva e afetiva. Nossa igreja, a comunidade Memorial, inserida que está na comunidade da Concórdia e região, precisa exercer esta vocação de forma atuante e relevante, conquistando a simpatia de nossos vizinhos, atuando junto ás suas necessidades e fazendo Cristo e seu evangelho, conhecidos de forma prática e menos discursiva.

Num mundo onde a carência das vivências e relacionamentos é sentida nas mais diversas maneiras, surgem, em contrapartida, as comunidades virtuais (Orkut e seus similares) como uma forma de contrapor o distanciamento e esfriamento das relações pessoais. Para muita gente, em especial para boa parcela da juventude, notadamente da juventude urbana, o mundo virtual, o mundo dos orkuts e similares é o espaço onde acontecem as relações de identificação e compartilhamento. Este tipo de relacionamento é mais “fácil” sempre com a possibilidade de se deletar o indesejável sem as angústias de um rompimento face a face.
Diante deste quadro qual tem sido nossa influencia e participação junto à nossa comunidade (Concórdia, Colégio Batista, e redondeza)? Como temos atuado de maneira a promover a beleza do evangelho de Cristo como boas-novas? Em que medida suprimos as carências e necessidades sociais destas comunidades? Que recursos, humanos e financeiros, utilizamos nesta direção? Qual tem sido nossa vocação comunitária?

Estas e outras questões precisam de respostas através de vidas consagradas ao nosso Deus e comprometidas com os valores do Reino, de maneira a fazermos diferença neste mundo aqui e agora. Somos como uma cidade construída sobre um monte que não pode ser escondida. Como luz, precisamos dar o brilho que destrua as trevas da maldade e injustiça onde quer que elas estejam. Como sal, precisamos dar sabor à vida daqueles que juntos de nós, caminham insossos em seus relacionamentos, quer na dimensão vertical, com o Todo Poderoso, quer na horizontal, na dimensão do uns com os outros.
Qual será a sua resposta?
Pr. Wagno Alves Bragança




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