segunda-feira, 24 de maio de 2010

MULHER BATISTA E MINISTÉRIO




A memória de Josefa da Silva está presente na vida de toda mulher vocacionada ao ministério educacional nas igrejas batistas do Brasil. Isso porque Josefa foi a mulher que abriu o espaço para a preparação da mulher vocacionada nos idos de 1917, um tempo em que, vocação ao ministério, pelo menos no Brasil, era assunto só de homens.

Mas o que Josefa conseguiu, infelizmente, não foi mantido. Apesar de duas Escolas de Educação Cristã serem criadas especificamente para a preparação de mulheres para o ministério educacional, visto que o pastoral não era na época cogitado para mulheres, a atuação delas não tomou o rumo em direção ao ministério educacional. As mulheres educadoras não foram apresentadas às igrejas como tal.

Sem campo de trabalho nas igrejas restavam ainda duas opções: o campo missionário ou o casamento com um pastor. E foi exatamente isso que aconteceu. As mulheres estudantes no antigo IBER (Instituto Batista de Educação Religiosa) e no SEC (Seminário de Educadoras Cristãs, e agora, Seminário de Educação Cristã) e outros Seminários Estaduais se tornaram “missionárias” ou “esposas de pastores” em potencial. Neste contexto, ser Iberista, Secista ou Seminarista tornou-se motivo de chacota para as vocacionadas, com esta e/ou outras piadinhas: “você foi para o seminário para ser missionária ou para arranjar marido pastor”? As Escolas criadas para Educação Cristã/Religiosa se tornaram escolas de  Missões e de extensão de ministério pastoral.


Esse desvirtuamento atendeu a algumas demandas e provocaram alguns constrangimentos entre os batistas:

1. Convidar um pastor e ganhar uma educadora. O chamado pacote “leve dois e pague um”. O espaço do educador, sendo ocupado pela “mulher do pastor” como se, obrigatoriamente ela tivesse que ser vocacionada ao ministério educacional. A ideia foi aceita, surgindo um ministério novo, o de “esposa de pastor”, com associação, congressos específicos etc., etc. Ser “esposa de... tornou-se “a profissão” única da mulher casada com pastor. Ser casado com uma mulher competente e talentosa para os serviços religiosos/eclesiásticos tornou-se para algumas igrejas um dos requisitos para convite pastoral. Lamentavelmente não é exagero o que digo. Sei de pelos menos uma mulher que está vivendo a angústia de procurar um curso que ensine a ser “esposa de pastor” porque o homem com quem se casou está se preparando para o ministério pastoral.

2. Muitas mulheres vocacionadas ao ministério da educação religiosa, não casadas com pastores, vivem o constrangimento da não realização vocacional, porque embora as igrejas experimentem grande carência de coordenadores da educação religiosa não sabem disso, porque nenhum lider lhes contou.


A decadência da educação religiosa batista no Brasil é hoje uma realidade discutida pelos órgãos oficiais da denominação. Haja visto a preparação do Plano Diretor para a Educação Religiosa Batista no Brasil. Minha esperança é que desta vez os educadores e as educadoras sejam contemplados.


Obs. De acordo com matéria do blog da pastora Zenilda no endereço
http://pastorazenilda.blogspot.com/2009/07/10-anos-com-pastoras-batistas.html
já são 85 pastoras na CBB "...Passados esses anos, temos 85 pastoras na CBB e estamos em um processo de aceitação nos mais diversos níveis que ainda percorrerá um longo caminho. Hoje, como denominação, já temos um maior amadurecimento para perceber que as pastoras são ordenadas pela igreja. A OPBB não é proprietária desse processo...."

Será que a editora CONVICÇÃO  providenciará um congresso para os maridos de pastoras?
http://www.conviccaoeditora.com.br/

Leia também artigos do Pr Edvar em:
http://blogdoedvar.blogspot.com/search/label/Educação













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