sábado, 8 de maio de 2010

Minha mãe, minha sogra


Já disse de minha mãe Ermita que era mulher delicada e trazia a meiguice nos olhos e a ternura no abraço. Mulher de poucas palavras e muitas leituras, para seu contexto. Não sei se possuía a sabedoria por causa de sua sede de conhecimento, ou se adquiria conhecimento por causa de sua sede de sabedoria.

Arnaldo Jabor, crítico, cineasta e jornalista, em um texto intitulado “ o mundo sem mulheres” retrata a dependência que os homens têm das mulheres e por isso, agradá-las, faz parte de suas metas na vida. Ele percebeu e reconheceu isso em sua visão masculina e eu percebo o mesmo em minha visão feminina: não só os homens estão ligados às mulheres, nós também, pois também fomos abrigadas em um útero e, graças a Deus, a maioria foi abrigada em um coração.

Eu, que fui abrigada pelo útero, braços e coração de D. Ermita, continuo sendo abrigada pelo coração de D. Diola depois que Ermita se foi. Estar cercada pelo amor e sabedoria, eis meu grande privilégio!

Uma “mulher sábia não edifica somente sua casa”, edifica também todas as vidas que são por ela tocadas. Uma mulher sábia é mais preciosa do que finas jóias. É mais preciosa até que o próprio rei Midas, porque ao contrário do fato de no mito grego, virar ouro, tudo o que Midas toca, a mulher sábia transmite no seu toque aquilo que o ser humano mais precisa, que não é ouro, é amor incondicional. Recebi esse amor pelo toque de minha mãe e pelo toque de minha sogra, mãe e avó de muitos. Foi avó de alguns jovens universitários em uma das repúblicas de Ouro Preto e foi avó de muitos jovens do Lar dos Meninos São Vicente de Paula, onde trabalhou como cozinheira. Todos foram seus netos. E não adianta ciumezinho de neto legítimo, porque ela não conhece o significado da palavra ilegítimo. No Lar dos meninos foi convidada para paraninfa de uma turma de formandos. E quando quis se esquivar do convite por se sentir insegura em proferir o discurso, vários alunos responderam:

__ “Não precisa falar nada vó, porque eu falo no seu lugar”.

E falaram mesmo, até o Frei, responsável pelo Lar, falou por ela, porque ele também se considerava "seu neto".

Arnaldo Jabor tem toda razão, o mundo precisa das mulheres. Esse ser que "é para si" mas também "é para o outro", como disse Agenita Ameno, socióloga autora do livro Crítica à tolice feminina.

O mundo precisa de mães como D. Ermita e precisa de sogras como D. Diola, que abriga em seu coração todos os que se permitem, oferecendo seu amor a todos os que se deixam tocar por ele.

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