segunda-feira, 17 de maio de 2010

“Esposas” de pastores ou “mulheres” casadas com pastores?

Um tempo atrás um importante líder denominacional, em um evento também importante, no momento das apresentações, apresentou seminaristas, músicos, pastores e “esposas de pastores”. Os educadores presentes “continuaram” anônimos.

Tenho uma pergunta que circula pela minha cabeça e vez ou outra faz uma parada diante da promoção de alguns eventos. Hoje ela estacionou-se sobre a página 12 do Jornal Batista de domingo dia 09/05/2010 sobre o Título: EDITORA CONVICÇÃO REALIZA CONGRESSO PARA ESPOSAS DE PASTORES.

A minha pergunta é: O fato de se casar com um pastor faz da mulher uma pessoa “vocacionada” a um ministério específico? A mulher casada com um pastor deixa de ser a “mulher” e passa a ser a “esposa”? Será que toda valorização que se quer dar à mulher casada com um pastor está mesmo sendo direcionada a ela? Por que a Associação de Esposas de Pastores recebeu esse nome em vez de: Associação das mulheres casadas com pastores?

Por que a Editora Convicção, quando o Plano Diretor da Educação Religiosa para as Igrejas Batistas do Brasil está prestes a ser lançado, promove um Congresso para as “mulheres casadas com pastores” e não para os educadores?

Sou casada com um pastor, mas não perdi minha identidade. Continuo sendo a Senhorinha que casou-se com o pastor (...) Não quero ser conhecida como  “a esposa” do... continuo sendo “a mulher” Senhorinha que se casou com... Da mesma forma que procuro manter minha identidade gostaria muito que as outras mulheres casadas com pastores tivessem também sua identidade resguardada e que aquelas que há muito já tiveram até seus nomes esquecidos, de tanto serem chamadas de “esposa do pastor” tivessem sua identidade resgatada.


O Plano Diretor para a Educação Religiosa das Igrejas Batistas no Brasil tem suas diretrizes voltadas para uma mudança de visão. Então comecemos a refletir sobre dois assuntos: aliviar o peso colocado sobre os ombros das mulheres que se casaram com pastores e tirar os educadores do anonimato, ajudando-os a assumirem a responsabilidade educacional para a qual foram chamados por Deus.

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Matéria de segunda-feira 24 de maio de 2010

Rangel disse...


Concordo plenamente com voce, sou casada com um pastor, dou graças a Deus, mas tenho a minha identidade como Educadora e missionaria. Meu esposo sempre esteve ao meu lado animando-me em todos os projetos que Deus colocou em meu coração. Esposa de pastor nao é profissao, é estar ao lado dele, apoiando, orando por seu ministerio e cuidado dele. Agora como educadoras, vamos continuar na luta para que as convençoes, igrejas, pastores dem valor ao trabalho de uma educadora. Minhas amigas de ministerio, a carga de esposa de pastor é pesada, entao procure aliviar esta carga e tornando esposa do homem de Deus que esta ao nosso lado. Elvira Rangel


Lúcia Cerqueira presidente da União de Esposa de Pastor de nossa CBB disse:



Querida Senhorinha, por ser atual presidente da União de Esposa de Pastor de nossa CBB me foi enviada a sua mensagem e resolvi dialogar sobre o assunto utilizando suas próprias questões: (dividi o texto em três partes para ser aceito)



Sua pergunta: A minha pergunta é: O fato de se casar com um pastor faz da mulher uma pessoa “vocacionada” a um ministério específico? A mulher casada com um pastor deixa de ser a “mulher” e passa a ser a “esposa”?


Minha resposta: Claro que não. O fato de uma mulher ser casada com um pastor não a qualifica como vocacionada, mas se você mesma faz esse levantamento, é porque teve e tem de lidar com ele nas mais diversas situações ministeriais, até mesmo em apresentações denominacionais como você relatou em palavras anteriores.


A mulher casada com um pastor, não deixa de ser mulher e passa a ser esposa, mas você mesma, tenho certeza, tem o conhecimento que na maioria dos relacionamentos é isto o que acontece, a mulher deixa, se não tomar cuidado consigo mesma, acaba tornando-se apenas esposa, isto acontece em qualquer relacionamento. Digo assim, pois o entendimento que temos de esposa, é daquele papel exercido pela mulher de um homem que ao ser apresentado em público – e o pastor é um homem público, esteja ele onde estiver, independente do tamanho da sua igreja - que ao ser apresentada é devidamente chamada assim.


Sua pergunta: Será que toda valorização que se quer dar à mulher casada com um pastor está mesmo sendo direcionada a ela?


Minha resposta: Não posso responder por outras pessoas, mas a nossa União de Esposa de Pastor, com certeza foi criada pensando na mulher que é esposa de pastor, que ia as Convenções Nacionais e acabava não conhecendo umas as outras e continuavam voltando para casa sem encontrar outras mulheres que viviam e vivem realidades semelhantes e que pudessem compartilhar e saírem do encontro mais fortalecidas. O objetivo da União é o congraçamento e o fortalecimento da comunhão entre essas mulheres casadas com pastor. Que querendo nós ou não tem a sua especificidade.


Passo a apresentar algumas questões que nos diferenciam de outras mulheres que não são casadas com o pastor.


1ª. Quem é o líder considerado o “principal” na igreja? O pastor, é claro!


2ª. Qual outro membro da igreja tem o seu salário discutido em assembléia ou mesmo em reunião de obreiros?


3ª. Qual a família é tão vista e criticada – no bom e no mal sentido – por ser mais visível, que senão a do Pastor?


4ª. Quando uma família pede carta para uma igreja, todos são “olhados” “investigados” ou mesmo “perguntados” sobre o que sabem fazer para contribuir para o ministério na igreja?


5ª. Qual o marido que foi convidado pela igreja a fazer parte da mesma em posição de liderança, senão o pastor?


6ª. Qual a mulher que foi perguntada se sabe reger, tocar algum instrumento, se tem liderança, se gosta ou não de determinado ministério ou área ministerial ao ser convidada para ser membro da igreja?


7ª. Apesar de outras profissões também requererem que seus profissionais mudem constantemente de cidade, qual a mulher que sempre abre mão de sua vida profissional, seus sonhos pessoais e familiares em favor de uma igreja toda, simplesmente porque seu marido foi chamado para atuar como pastor?


8ª. Qual a mulher na igreja que tem que aceitar morar num lugar que não escolheu, numa casa que não escolheu, num bairro que não escolheu, participar de uma igreja que não escolheu e sim escolhida creio por Deus e dada a resposta primeiramente ao seu esposo que se ele for prudente compartilhará sua decisão com ela, sua mulher...


9ª. Qual a mulher na igreja que todos sentem falta - e comentam- se ela não aparece aos cultos e trabalhos promovidos pela igreja?


10ª. Qual a mulher que muitas vezes é criticada quando aparece na igreja com determinado visual que para alguns pode ser “desperdício” de dinheiro que a igreja “investe” em seu pastor? Se ela está constantemente de roupa nova, logo vem o comentário sobre o investimento do dinheiro da igreja, se não se preocupa com seu visual, é criticada...mesmo que ela exerça uma atividade profissional remunerada, qual outra mulher membro da igreja sofre essas questões?


11ª. Isto sem falar dos filhos...


Querida, tenho muitos outros argumentos para fundamentar minha posição, mas vamos deixar que Deus continue a abrir nossa mente e coração para tal entendimento.


Então querida, como você pode ver, são inúmeras as especificidades dessa mulher casada com um homem que exerce o ministério pastoral.


Sua pergunta: Por que a Associação de Esposas de Pastores recebeu esse nome em vez de: Associação das mulheres casadas com pastores?
 Minha resposta: Não sei responder a sua pergunta, pois não estava presente a reunião que deu início a união, mas creio que um dos fatores possa ser o cultural, pois somente a muito pouco tempo o termo mulher ganhou uma conotação mais aceitável entre nosso povo. Publicamente não era considerado de bom tom apresentar uma senhora de outra maneira.


Suas palavras:

Sou casada com um pastor, mas não perdi minha identidade. Continuo sendo a Senhorinha que casou-se com o pastor (...) Não quero ser conhecida como “a esposa” do... continuo sendo “a mulher” Senhorinha que se casou com... Da mesma forma que procuro manter minha identidade gostaria muito que as outras mulheres casadas com pastores tivessem também sua identidade resguardada e que aquelas que há muito já tiveram até seus nomes esquecidos, de tanto serem chamadas de “esposa do pastor” tivessem sua identidade resgatada.

Minha palavra: Fico muito feliz em ver que você é uma mulher forte em suas convicções, que exerce um lindo e profícuo ministério e que não teve sua identidade perdida. Mas se você levanta esta questão é porque sabe perfeitamente que muitas mulheres casadas com um homem que exerce o ministério pastoral, acabam por perder sua identidade em sua caminhada matrimonial e ministerial também. Louvo ao nosso Deus porque você continuou sendo a mulher que se casou com... mas você não pode generalizar e se esquecer de que existem muitas mulheres espalhadas por nosso Brasil que precisam ter sua identidade resgatada, justamente por passarem situações que somente a mulher casada com um ministro do evangelho passa.






Agora passo a responder uma outra questão. Tenho certeza de que você como educadora, sabe perfeitamente a importância da família na formação de uma igreja fortalecida e que também aceitando ou não a mulher que além de estar casada com um homem que exerce um ministério pastoral, se não é mãe, poderá ser um dia, e que o fortalecimento desta mulher como pessoa, como indivíduo, é fundamental para o exercício de todos os outros papeis que ela possa vir a exercer. É para isto então querida Senhorinha que um evento como este é realizado. Pensando sim nesta mulher com todas suas necessidades individuais e sociais, para que estando bem consigo mesma, possa exercer o seu papel como esposa de pastor da melhor forma possível, pois acredito que quando estamos bem conosco mesmas os abalos, as cobranças, as exigência, as críticas se tornam menos difíceis de serem contornadas. Precisamos sim fortalecer esta mulher, para que sensibilizando-se possa adquirir um empoderamento tal vindo primeiramente do conhecimento da graça de Deus para consigo mesma e depois seja estendido este empoderamento para as questões relacionais do dia a dia em seu relacionamento conjugal, parental e social.

Que Deus continue abençoando sua vida e ministério.
Em Cristo,
Lúcia Cerqueira.

6 comentários:

  1. Concordo plenamente com voce, sou casada com um pastor, dou graças a Deus, mas tenho a minha identidade como Educadora e missionaria. Meu esposo sempre esteve ao meu lado animando-me em todos os projetos que Deus colocou em meu coração. Esposa de pastor nao é profissao, é estar ao lado dele, apoiando, orando por seu ministerio e cuidado dele. Agora como educadoras, vamos continuar na luta para que as convençoes, igrejas, pastores dem valor ao trabalho de uma educadora. Minhas amigas de ministerio, a carga de esposa de pastor é pesada, entao procure aliviar esta carga e tornando esposa do homem de Deus que esta ao nosso lado. Elvira Rangel

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  2. Querida Senhorinha, por ser atual presidente da União de Esposa de Pastor de nossa CBB me foi enviada a sua mensagem e resolvi dialogar sobre o assunto utilizando suas próprias questões: (dividi o texto em três partes para ser aceito)
    Sua pergunta: A minha pergunta é: O fato de se casar com um pastor faz da mulher uma pessoa “vocacionada” a um ministério específico? A mulher casada com um pastor deixa de ser a “mulher” e passa a ser a “esposa”?
    Minha resposta: Claro que não. O fato de uma mulher ser casada com um pastor não a qualifica como vocacionada, mas se você mesma faz esse levantamento, é porque teve e tem de lidar com ele nas mais diversas situações ministeriais, até mesmo em apresentações denominacionais como você relatou em palavras anteriores.
    A mulher casada com um pastor, não deixa de ser mulher e passa a ser esposa, mas você mesma, tenho certeza, tem o conhecimento que na maioria dos relacionamentos é isto o que acontece, a mulher deixa, se não tomar cuidado consigo mesma, acaba tornando-se apenas esposa, isto acontece em qualquer relacionamento. Digo assim, pois o entendimento que temos de esposa, é daquele papel exercido pela mulher de um homem que ao ser apresentado em público – e o pastor é um homem público, esteja ele onde estiver, independente do tamanho da sua igreja - que ao ser apresentada é devidamente chamada assim.
    (continua...)

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  3. (... continua)
    Sua pergunta: Será que toda valorização que se quer dar à mulher casada com um pastor está mesmo sendo direcionada a ela?
    Minha resposta: Não posso responder por outras pessoas, mas a nossa União de Esposa de Pastor, com certeza foi criada pensando na mulher que é esposa de pastor, que ia as Convenções Nacionais e acabava não conhecendo umas as outras e continuavam voltando para casa sem encontrar outras mulheres que viviam e vivem realidades semelhantes e que pudessem compartilhar e saírem do encontro mais fortalecidas. O objetivo da União é o congraçamento e o fortalecimento da comunhão entre essas mulheres casadas com pastor. Que querendo nós ou não tem a sua especificidade.
    Passo a apresentar algumas questões que nos diferenciam de outras mulheres que não são casadas com o pastor.
    1ª. Quem é o líder considerado o “principal” na igreja? O pastor, é claro!
    2ª. Qual outro membro da igreja tem o seu salário discutido em assembléia ou mesmo em reunião de obreiros?
    3ª. Qual a família é tão vista e criticada – no bom e no mal sentido – por ser mais visível, que senão a do Pastor?
    4ª. Quando uma família pede carta para uma igreja, todos são “olhados” “investigados” ou mesmo “perguntados” sobre o que sabem fazer para contribuir para o ministério na igreja?
    5ª. Qual o marido que foi convidado pela igreja a fazer parte da mesma em posição de liderança, senão o pastor?
    6ª. Qual a mulher que foi perguntada se sabe reger, tocar algum instrumento, se tem liderança, se gosta ou não de determinado ministério ou área ministerial ao ser convidada para ser membro da igreja?
    7ª. Apesar de outras profissões também requererem que seus profissionais mudem constantemente de cidade, qual a mulher que sempre abre mão de sua vida profissional, seus sonhos pessoais e familiares em favor de uma igreja toda, simplesmente porque seu marido foi chamado para atuar como pastor?
    (continua...)

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  4. 8ª. Qual a mulher na igreja que tem que aceitar morar num lugar que não escolheu, numa casa que não escolheu, num bairro que não escolheu, participar de uma igreja que não escolheu e sim escolhida creio por Deus e dada a resposta primeiramente ao seu esposo que se ele for prudente compartilhará sua decisão com ela, sua mulher...
    9ª. Qual a mulher na igreja que todos sentem falta - e comentam- se ela não aparece aos cultos e trabalhos promovidos pela igreja?
    10ª. Qual a mulher que muitas vezes é criticada quando aparece na igreja com determinado visual que para alguns pode ser “desperdício” de dinheiro que a igreja “investe” em seu pastor? Se ela está constantemente de roupa nova, logo vem o comentário sobre o investimento do dinheiro da igreja, se não se preocupa com seu visual, é criticada...mesmo que ela exerça uma atividade profissional remunerada, qual outra mulher membro da igreja sofre essas questões?
    11ª. Isto sem falar dos filhos...
    Querida, tenho muitos outros argumentos para fundamentar minha posição, mas vamos deixar que Deus continue a abrir nossa mente e coração para tal entendimento.
    Então querida, como você pode ver, são inúmeras as especificidades dessa mulher casada com um homem que exerce o ministério pastoral.

    Sua pergunta: Por que a Associação de Esposas de Pastores recebeu esse nome em vez de: Associação das mulheres casadas com pastores?

    Minha resposta: Não sei responder a sua pergunta, pois não estava presente a reunião que deu início a união, mas creio que um dos fatores possa ser o cultural, pois somente a muito pouco tempo o termo mulher ganhou uma conotação mais aceitável entre nosso povo. Publicamente não era considerado de bom tom apresentar uma senhora de outra maneira.

    (continua...)

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  5. (... continuando)
    Suas palavras:
    Sou casada com um pastor, mas não perdi minha identidade. Continuo sendo a Senhorinha que casou-se com o pastor (...) Não quero ser conhecida como “a esposa” do... continuo sendo “a mulher” Senhorinha que se casou com... Da mesma forma que procuro manter minha identidade gostaria muito que as outras mulheres casadas com pastores tivessem também sua identidade resguardada e que aquelas que há muito já tiveram até seus nomes esquecidos, de tanto serem chamadas de “esposa do pastor” tivessem sua identidade resgatada.

    Minha palavra: Fico muito feliz em ver que você é uma mulher forte em suas convicções, que exerce um lindo e profícuo ministério e que não teve sua identidade perdida. Mas se você levanta esta questão é porque sabe perfeitamente que muitas mulheres casadas com um homem que exerce o ministério pastoral, acabam por perder sua identidade em sua caminhada matrimonial e ministerial também. Louvo ao nosso Deus porque você continuou sendo a mulher que se casou com... mas você não pode generalizar e se esquecer de que existem muitas mulheres espalhadas por nosso Brasil que precisam ter sua identidade resgatada, justamente por passarem situações que somente a mulher casada com um ministro do evangelho passa.

    Agora passo a responder uma outra questão. Tenho certeza de que você como educadora, sabe perfeitamente a importância da família na formação de uma igreja fortalecida e que também aceitando ou não a mulher que além de estar casada com um homem que exerce um ministério pastoral, se não é mãe, poderá ser um dia, e que o fortalecimento desta mulher como pessoa, como indivíduo, é fundamental para o exercício de todos os outros papeis que ela possa vir a exercer. É para isto então querida Senhorinha que um evento como este é realizado. Pensando sim nesta mulher com todas suas necessidades individuais e sociais, para que estando bem consigo mesma, possa exercer o seu papel como esposa de pastor da melhor forma possível, pois acredito que quando estamos bem conosco mesmas os abalos, as cobranças, as exigência, as críticas se tornam menos difíceis de serem contornadas. Precisamos sim fortalecer esta mulher, para que sensibilizando-se possa adquirir um empoderamento tal vindo primeiramente do conhecimento da graça de Deus para consigo mesma e depois seja estendido este empoderamento para as questões relacionais do dia a dia em seu relacionamento conjugal, parental e social.

    Que Deus continue abençoando sua vida e ministério.

    Em Cristo,

    Lúcia Cerqueira.

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  6. O texto só foi aceito em quatro partes!

    Bjs,
    Lúcia Cerqueira

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