sexta-feira, 9 de abril de 2010

Valorizar o educador é também defender a Educação Cristã


Ontem postei uma matéria falando da reunião do Conselho da Convenção Batista Brasileira e de sua “preocupação” com a questão da Educação Cristã nas igrejas Batistas do Brasil - (Tardia preocupação.)
A matéria do Jornal Batista que me serviu de base reflexiva diz que “uma das maiores preocupações dos conselheiros foi a de garantir que as igrejas batistas de todo o Brasil pudessem realizar um trabalho relevante na área da educação cristã no prazo mais curto possível.” - (O Seminário de Educação Cristã foi fundado em 1917. Teoricamente tem pelo menos 88 anos que a Denominação Batista prepara educadores para a educação cristã nas igrejas. Onde eles estão?)
Se refletirmos na linha da causa e efeito, podemos dizer que os integrantes do Conselho da Convenção Batista Brasileira tentam em curto prazo, resolver um problema de “efeitos” em longo prazo, que tem sua “causa” na pouca ou nenhuma valorização de um obreiro que a própria Denominação prepara que é o educador. Ou pelo menos deveria, já que a escola oficial de educação cristã chama-se Seminário de Educação Cristã. Fora esse Seminário, outros oferecem (pelo menos no papel) o chamado “curso de Educação Cristã” ou “Teologia com ênfase em Educação Cristã”.
Em suas avaliações os integrantes do Conselho chegaram à conclusão de que “o uso de material inadequado de educação religiosa (principalmente na Escola Bíblica Dominical) está trazendo prejuízos incalculáveis para os batistas brasileiros.”(É verdade! Volta e meia descobre-se nas salas de ensino de crianças, revistas com orientações de como ungir as crianças ou como ensiná-las a falar em línguas estranhas... e os distintos pastores nem sabem o que as crianças de sua igreja estudam. Isso prova que Teologia não prepara o pastor para a educação cristã. E eu pergunto: onde estão os educadores?)
Na mesma reunião dois “pastores” apresentaram a solução para o problema. Ei-las: “... No entanto o diretor executivo da CBB, pastor Sócrates Oliveira de Souza, afirmou que o Departamento de Educação Religiosa (DER) está atento a esta realidade e trabalha com afinco para lidar com ela. A principal resposta a ser dada é o lançamento, em pouco tempo, de um novo Plano Diretor de Educação Religiosa, que está em fase avançada de elaboração e que deve ser amplamente divulgado nos próximos meses. Além disso, o presidente da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, pastor Lécio Dornas, sugeriu que seja promovida uma campanha de grande amplitude de promoção da Escola Bíblica dominical, instituição fundamental dos batistas brasileiros e que infelizmente tem sido deixada de lado por algumas igrejas. ” Pergunto: já que a Educação Cristã da maioria das igrejas Batistas do Brasil está aos cuidados dos seus pastores, eles serão capacitados para fazer valer o novo plano educacional? Porque o atual eles não estão conseguindo.
Diante da realidade da Educação Cristã Batista e dos Educadores Cristãos preparados pela denominação somos obrigados a muitas conjecturas e perguntas. Uma delas é: Por que o Seminário de Educação Cristã foi criado? Porque apareceu lá pelas bandas do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil uma mulher determinada a adquirir preparo teológico para ensinar a Bíblia às crianças de sua comunidade. Como o curso de Teologia era privilégio só de homens, criou-se uma escola teológica para mulheres: O SEC que antes de ser Seminário de Educação Cristã era Seminário de Educadoras Cristãs. Será que a criação do SEC foi só um desencargo de consciência? Não posso crer nisso. O certo é que ao longo da historia o SEC tem preparado obreiros e os distribuídos. Os chamados para a obra missionária têm trabalho garantido. Missões mexem com as emoções dos batistas brasileiros. Os que têm chamada para a educação na igreja... bom, Educação Cristã é só um detalhe, o pastor mesmo dá conta. Alguns poucos educadores conseguem uma gratificação financeira pelo seu trabalho na igreja... um dinheirinho chorado! A Denominação ensinou os batistas a amarem missões, mas não nos ensinou a amar a Educação Cristã com a mesma intensidade. Os mesmos membros que ofertam para o sustento dos missionários que estão distantes choram as migalhas que são oferecidas ao educador de sua igreja, quando são oferecidas. Falo por experiência própria e gostaria muito que a Denominação me provasse o contrário. Eu morderia a minha língua com prazer. Se como Denominação investíssemos na Educação Cristã a metade do que investimos em Missões estaríamos cumprindo a segunda parte da Grande Comissão e a Educação Cristã Batista não estaria a vergonha que está. E eu não estou falando de literatura não. Estou falando do obreiro “Educador”, que orienta, coordena, supervisiona a educação cristã de sua igreja e ainda capacita líderes locais se necessário for.
Por isso senhores conselheiros, falem do Novo Plano Diretor de Educação Religiosa, mas, por favor, falem também do Educador Cristão, porque já é tarde e valorizar o educador é também defender a Educação Cristã.
Senhorinha Gervásio

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