sexta-feira, 30 de abril de 2010

O sucesso do Plano Diretor da Educação Religiosa Batista dependerá da mudança da visão salvacionista para a visão integral do ser humano.



Historicamente nós batistas vemos cada ser humano como uma “alma” que deve ser ganha pra Jesus, que por sua vez deve ganhar outras “almas” para Ele. Coerente com esta visão está nossa prática missionária. Na concepção batista a missão da igreja se resume em: proclamar o evangelho para a salvação. Estamos presos à primeira parte da Grande Comissão de “pregar o evangelho a toda criatura”. A parte complementar de “ensinar a guardar todos os mandamentos”, até agora está no campo do discurso, aquele de que a educação religiosa é muito importante, que é a espinha dorsal da igreja etc., etc., mas que, segundo dados do documento "Diretrizes para o Plano Diretor da Educação Religiosa Batista no Brasil" p. 12, somente 34,44% dos coordenadores que atuam na educação religiosa das igrejas batistas do Brasil são educadores formados em Educação Religiosa com somente 8,61% com remuneração; 36,66% das igrejas não possuem edifício de Educação Religiosa contra 27,60% que possuem.

As igrejas que responderam à pesquisa avaliaram bem a realidade (páginas 16,17 e 18 do mesmo documento, Diretrizes para Plano Diretor da Educação Religiosa). Eis algumas delas:

• “Ausência de visão do que seja a educação religiosa e sua relevância para o contexto eclesiástico atual (item muito apontado nas respostas)
• Visão eclesiástica e teológica centralizada na doutrina da salvação em vez de considerar o evangelho integral;
• Reduzido número de educadores religiosos em tempo integral e específico na área;
• Reduzido preparo docente”, ente outras.

Ora se o nosso discurso é de que a Educação Religiosa é assim tão importante, como explicar essa realidade? Está acontecendo no mínimo uma incoerência entre a fala e a prática. Precisamos ampliar nossa visão salvacionista, para a visão integral do ser humano, para uma vida eterna no céu e uma vida abundante na terra. Como disse anteriormente, as igrejas foram sábias na avaliação da realidade e também nas sugestões para a solução do problema. Eis algumas delas apresentadas pelo documento diretrizes para o PDER:

• “Inserir a valorização da educação religiosa nos currículos dos Seminários de formação pastoral;
• Conscientização da necessidade de educadores para cada igreja local (item muito apontado nas respostas)
• Necessidade de qualificação docente, de estrutura leve, ágil, contextualizada e atualizada (item muito apontado nas respostas);
• Criar um programa nacional para o despertamento vocacional;
• Desenvolver sistema de avaliação do ensino-aprendizagem para a igreja local”, entre outras.

As igrejas sentem necessidade de mudança na área de educação. Mas essa mudança não acontecerá se mantivermos a visão salvacionista, porque toda prática está ligada à visão que a mantém. A valorização da educação religiosa e do educador só acontecerá quando os líderes batistas, em posse da visão integral do ser humano, transmiti-la aos seus liderados através de sermões, mensagens, palestras e práticas. O foco da Grande Comissão precisa ser ampliado de forma que abranja também o ensino bíblico relevante sem perder o ardor missionário.

Texto baseado no Documento Diretrizes para o Plano Diretor da Educação religiosa Batista no Brasil.
Comissão:
Ademir Clemente Bezerra
Adriano Gomes
Enemy Guimarães Lucas
Fabiano Pereira
Maria Bernadete da Silva
Nacy Gonçalves Dusilek (vice-relatora)
Solange Cardoso A. d'Almeida
Lourenço Stélio Rega (relator)

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