domingo, 6 de dezembro de 2009

NOVOS CAMINHOS PARA A EDUCAÇÃO CRISTÃ - Patinho feio x lindo cisne















Este é o título do livro de Júlio Zabatiero publicado pela Editora Hagnos. Seu propósito é oferecer possibilidades de discussão sobre a educação cristã no ambiente da igreja local. Apresenta propostas para a transformação da mentalidade educacional em diálogo com a teologia e a pedagogia da fé.
Júlio Zabatiero é doutor em teologia e professor de Bíblia na Escola Superior de Teologia em São Leopoldo. É vice- presidente da fraternidade teológica Sul-americana - Setor Brasil, e professor colaborador da Faculdade de Teologia Metodista Livre. http://www.hagnos.com.br/

Já que o autor propõe possibilidades para discussão e a educação cristã batista no ambiente da igreja local, há muito carece de reflexão crítica e discussão séria, quero aproveitar alguns tópicos do livro para lançar pontos de discussão a todos os batistas.

Zabatiero discorre em seu livro sobre os tópicos básicos da educação cristã, propondo novos caminhos porque estamos em um novo tempo. Assim ele fala dos seguintes aspectos da educação cristã: bíblicos, teológicos, pedagógicos, didáticos, programáticos e o aspecto da espiritualidade. Sendo um metodista e não um batista, o autor fala da educação cristã como ministério e de pastores, pastoras e o que ele chama de educadores “leigos” como os ministros desse ministério.

Para justificar a afirmativa do título, de que a educação cristã precisa tomar novos caminhos, ele faz um breve resumo do que foram as décadas de 80 e 90 para a educação cristã na América Latina e América do Norte, com várias publicações, uma das quais conhecemos bem: o livro de Laurence Richards –Teologia da Educação Cristã. Também afirma que naquela época a educação cristã era um ministério indispensável e relevante para a vida das comunidades eclesiais.

Passando para uma análise da primeira década do século XXI o autor afirma que vivemos tempos radicalmente diferentes, em que as igrejas cristãs não mais descrevem sua identidade a partir dos referenciais das décadas 1980 e 1990. Que hoje a preocupação gira em torno do sucesso pessoal e crescimento numérico das congregações. Que louvor, comunhão, êxtase intimista tomaram o lugar da educação cristã, limitando tanto a identidade como a missão das igrejas no âmbito do crescimento pessoal. Na sua análise, a educação cristã perdeu seu Glamour, tornando-se o “patinho feio” das atividades eclesiais. (pagina 8).

Feito esse preâmbulo, quero agora me ater a educação cristã no âmbito das igrejas batistas, principalmente em Minas Gerais, tomando como base os conhecimentos do autor e os caminhos por ele apresentados como saída para a educação cristã neste novo tempo. Ele fala de reflexão crítica, ação presente e visão. Enfim uma educação para a cidadania. Então vamos refletir sobre esses três caminhos à luz da realidade batista mineira.

Reflexão crítica- A fundação do primeiro Seminário para Educação Cristã, em 1917 foi o caminho que os batistas encontraram para a solução de um problema inédito. Apareceu no Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, a professora Josefa da Silva, vindo do Amazonas para se matricular no curso de Teologia. Como o curso era destinado à formação de pastores e os batistas “ainda” não aceitavam pastoras em seu rol de ministros, criaram o SEC- Seminário de Educadoras Cristãs. Nesse momento histórico vinculou-se o ministério de educação cristã a um novo ministro- o “educador”, assim como o ministério pastoral estava ligado ao ministro “pastor. A educação cristã batista foi vinculada à mulher, visto que o SEC foi uma escola criada para formação de mulheres para a educação cristã. Mas essa vinculação foi um pouco além. Ao longo da história outra escola de Educação Cristã, para mulheres foi fundada no Rio de Janeiro -RJ e vários Seminários Estaduais aceitaram as mulheres em seus cursos de Teologia. Historicamente temos de reconhecer o avanço batista na sua tentativa de ajuda a mulher a obedecer a Deus ante sua chamada para o ministério. Centenas delas foram espalhadas pelo Brasil e pelo mundo como missionárias e mensageiras da verdade de Cristo. Muitas se casaram com pastores e desenvolvem o ministério como esposas. Existe até a Associação das Esposas de Pastores, que por sinal faz um ótimo trabalho. Se em 1917 a educação cristã batista foi vinculada à mulher, ao longo dos anos foi também ligada às missionárias e às esposas dos pastores. As educadoras não foram apresentadas e nem se apresentaram às igrejas como educadoras. Eu faço parte desse grupo. Extrapolei um pouco ao me apresentar como educadora a uma das igrejas por onde passei. Não deu certo. Já estávamos no século XXI. A educação cristã como diria Zabatiero, já havia perdido o glamour. Já era o patinho feio das atividades eclesiais. Nesse aspecto Minas seguiu a tendência. A parte do curso de Teologia com ênfase em Educação Cristã da Faculdade Batista de Minas Gerais - Belo Horizonte, a partir de então deixou de receber alunas.

Só que eu sei e vocês sabem: nas igrejas batistas em Minas a mulher educadora cristã nunca chegou ao status de “princesinha”. No nosso "conto de fada" só existe o “patinho feio”. Vivemos o conflito do “ser” e do “não ser”. “Somos” porque fomos chamadas e nos preparamos para... E “não somos” porque não nos apresentamos nem fomos apresentadas às igrejas como tal. Abrimos mão do que nos é muito precioso: a identidade. Como mulheres, somos dotadas das naturezas “ser para si” e “ser para o outro”, tese defendida pela socióloga Agenita Ameno em seu livro crítica à tolice feminina, publicado em 2001 pela editora Record. Em vez de sermos mulheres praticantes da sabedoria, prometida por Deus em Tiago 1.5 praticamos a tolice de nos anularmos como mulheres educadoras que somos, para assumir a função de esposas como se fosse nossa vocação divina. De acordo com a tese de que a mulher é um “ser para si” e “ser para o outro”, sabedoria é conciliar as duas naturezas. Anular uma ou outra é tolice. Mas tem ainda as educadoras que não se casaram com pastores, nem foram para os campos missionários, ao contrário estão nas igrejas. A situação delas não difere da nossa. Isso nos leva a crer que o problema é mais uma questão de gênero.

Assim, se como batistas estivermos dispostos a iniciar o caminho da reflexão crítica em relação a “educação cristã” e a “mulher educadora cristã”, teremos a chance de reverter sua situação de “patinho feio”, apresentada por Zabatiero na página 8 de seu livro, ajudando-a a se transformar no lindo cisne. Teremos iniciado também o novo caminho da ação presente e como resultado teremos uma boa visão do futuro da educação cristã batista bem como da mulher educadora.
Senhorinha Gervásio

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