quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Três atitudes em relação às crianças













O evangelista Marcos no capítulo 10 versículos 13 a 16 assim narra um encontro que Jesus teve com alguns pais e suas crianças: “Alguns traziam crianças a Jesus para que ele tocasse nelas, mas os discípulos os repreendiam. Quando Jesus viu isso, ficou indignado e lhes disse: ‘Deixem vir a mim as crianças, não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas. Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele’. Em seguida tomou as crianças nos braços, impôs-lhes as mãos e as abençoou.
Exemplos como o de Sara, Rebeca, Raquel e Ana, mulheres da Bíblia, que não podiam ser mães, nos mostram a grande importância que os filhos tinham para os casais do povo de Israel. As crianças eram para eles um tesouro precioso de Deus e a falta de filhos era motivo de grande tristeza para o casal e até de desgraça para a mulher.
Nessa semana chamada semana da criança e do professor, proponho uma reflexão sobre três atitudes em relação as crianças apresentadas neste texto.

1º- ATITUDE DOS PAIS- Busca da bênção- “Bênção é o desejo expresso através de palavras proferidas, às vezes acompanhadas de alguma ação” (Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia). Por ela Jacó trapaceou seu irmão se fazendo passar por ele, e recebeu a bênção do pai que por direito pertencia ao filho mais velho Esaú. Mais tarde o mesmo Jacó, em luta com o Anjo do Senhor, mesmo tendo sido ferido na perna, não parou de lutar enquanto não foi por ele abençoado. Por causa dessa luta Deus mudou seu nome para Israel com a seguinte explicação: “porque você lutou com Deus e com homens e venceu”. Por último já na velhice Jacó ou Israel reuniu seus filhos e netos e proferiu a cada um as palavras abençoadoras. (Genesis 49.1-33). Visto que a nação hebréia se multiplicou a partir da linhagem de Jacó o nome Israel veio a significar a nação inteira.
Ser abençoado era algo de grande importância para os Israelitas. Fazia parte da cultura que as crianças pedissem a bênção aos pais e os discípulos aos mestres. De acordo com o autor do comentário expositivo Warren W. Wiersbe era costume também os pais levarem os filhos para serem abençoados pelos rabinos. E um dia alguns levaram suas crianças até Jesus para que ele as tocasse e as abençoasse.

Lições e aplicações
Os pais citados no texto levaram seus filhos para receber a bênção do Deus Filho. Aquele que recebeu do Deus Pai toda autoridade para abençoar.
A atitude dos pais cristãos de hoje não deve ser diferente. Somos o Israel espiritual. E buscamos a bênção de Deus para nossos filhos, desde o ventre. Ao nascer os apresentamos a Deus no lar e na igreja. E ao longo dos anos de crescimento os pais são convocados a ensinar os filhos “no caminho em que devem andar” Pv. 22.6, que inclui uma série de tarefas como: Explicar-lhes o plano de salvação e quem é Jesus, para que tenham oportunidade de um encontro com ele como seu Salvador; viver a vida de Cristo a cada momento, ensinando a criança a amar a Jesus através da comunhão com ele, pela oração e estudo da Bíblia. Isso é muito mais do que orar às refeições, ler a Bíblia de vez em quando e levá-los à igreja aos domingos. Criar os filhos no caminho do Senhor é um ministério realizado pelos pais aos filhos.

2º- ATITUDE DOS DISCÍPULOS- impedimento- Os discípulos tentaram impedir que as crianças chegassem até onde estava Jesus. É certo que em algumas ocasiões grandes multidões se aglomeravam ao redor dele. É até compreensível que se preocupassem com sua proteção. Parece que se preocupavam também com o excesso de trabalho a que Jesus era submetido diariamente, porque em outras ocasiões eles tiveram a mesma postura. Quando a mulher Cananéia, seguindo a Jesus implorava, que curasse sua filha, os discípulos, incomodados com seus gritos, sugeriram a Ele que a mandasse embora (Mateus 15.23). Em outra ocasião quando se viram apertados por não ter o que oferecer à multidão faminta fizeram o mesmo, sugerindo a Jesus que mandasse a multidão embora (Marcos 6.36).
Se os discípulos conheciam o costume de pais levarem filhos aos rabinos para serem abençoados, por que tentaram impedir que as crianças chegassem até Jesus? Esse fato nos causa uma certa estranheza porque era de se esperar que os discípulos soubessem que Jesus era mais que um grande rabino. Por todos os sinais que já haviam presenciado, deveriam saber que Jesus era o Filho de Deus o Messias. Que a bênção dele àquelas crianças era de grande significado para suas famílias. Mas mesmo assim tentaram impedir o encontro.

Aplicações
A obra de Jesus não foi interrompida com sua ressurreição e volta ao céu. Ela continua pelas gerações e nesta somos os seus discípulos. Infelizmente sem nenhuma intenção e às vezes até por excesso de zelo impedimos as crianças de chegar até Jesus. Como e quando isso pode acontecer?
-Quando não há para a evangelização das crianças a mesma mobilização que acontece para evangelização de adultos.
-Quando não há investimento por parte da igreja em capacitação de obreiros para o trabalho com as crianças, atitude que demonstra a idéia de que para “ficar” com as crianças qualquer pessoa serve, descaracterizando assim a importância do ministério, com professores sem visão, dons, metas, autoridade, comunicação e entusiasmo, exercendo um ministério regular.

3º- ATITUDE DE JESUS- acolhimento- Jesus ao perceber o que acontecia às crianças indignou-se com os discípulos, repreendendo-os publicamente por impedirem o acesso delas a Ele. Em seguida anunciou que as crianças eram melhores exemplos do reino do que os adultos. Uma criança é exemplo na maneira humilde de depender dos outros e pela fé aceita sua situação, confiando que os outros cuidarão dela. Diante de Deus somos como crianças indefesas, desamparadas, incapazes de nos salvar. Somos totalmente dependentes da misericórdia e da graça de Deus. O adulto que não agir humildemente na dependência da graça de Deus, e não receber o seu Reino como uma criança, de maneira nenhuma entrará nele. Após essas palavras Jesus tocou nelas e as abençoou.
Jesus usou duas maneiras de demonstrar amor citadas pelos autores CHAMPMAN, Gary, CAMPBELL, Ross. No livro As cinco linguagens do amor das crianças, São Paulo, Mundo Cristão, 1999 -- o contato físico e as palavras de afirmação. O contato físico é uma necessidade de todo ser humano. Os bebês que são tocados por beijos abraços e cuidados de forma carinhosa são mais saudáveis do que os que passam horas sozinhos no berço. Quando maiores as crianças adoram ficar no colo dos pais, andar de mãos dadas. No período escolar brincam de empurrar, dar trombadas. Quando adultos cumprimentam-se com abraços, beijos e apertos de mão. Para entender bem a necessidade do ser humano por contato físico basta observar as comemorações dos gols no futebol e dos pontos no voleibol.
Além de tocar as crianças Jesus proferiu palavras de bênçãos a elas. Todas as pessoas trazem dentro de si a necessidade de serem apreciadas e reconhecidas pelo que são.

Aplicações
As crianças de nossas igrejas precisam ser acolhidas por todos os adultos. Precisam do toque carinhoso dos cumprimentos. Precisam de elogios saudáveis, de palavras de apreciação pelo que são e afirmação pelo esforço que fazem em se comportarem bem.
Que os atos voluntários ou não da nossa parte em impedir as crianças de conhecer Jesus, diminuam cada dia e que haja um esforço consciente de todos nós em acolher todas as crianças, apresentando-lhes JESUS.

Nenhum comentário:

Postar um comentário